ESTÁ AFUNDADO EM DÍVIDAS? DESCUBRA COMO AS COMPRAS POR IMPULSO PODEM ESTAR SABOTANDO SEU ORÇAMENTO.

(Bailon Guerreiro Filho, advogado em Belo Horizonte, especialista em direito do
consumidor, consultor de dívidas da Tchau Dívidas Ltda.)

O que são as compras por impulso? Compras por impulso são aquelas realizadas de maneira espontânea e sem planejamento prévio, motivadas por promoções irresistíveis ou por momentos de instabilidade emocional. Elas não envolvem reflexões sobre a necessidade do produto ou serviço e, muitas vezes, estão associadas a estímulos visuais, emocionais, marketing, publicidade e acesso fácil ao crédito.

Por essas razões, devemos sempre estar atentos e cautelosos ao realizar uma compra, questionando se essa aquisição é uma necessidade ou apenas um desejo. Assim, evitando o endividamento com compras realizadas por impulso.

Uma grande parcela dos brasileiros, infelizmente, encontra-se endividada. A cultura de consumo contribui para esse número assustador de pessoas com dívidas, seja por meio de empréstimos, financiamentos ou dívidas com cartões de crédito, sendo este último o grande vilão que, quando mal utilizado, nos leva a um endividamento fora do controle.

Para evitar compras desnecessárias, é fundamental adotar um planejamento financeiro, enumerando os itens que são úteis à sua aquisição e os que são supérfluos, além de se educar para evitar a prática de consumo impulsivo. Um plano elaborado por especialistas pode ajudar a organizar seu orçamento mensal, detalhando seus ganhos e gastos para que você compreenda melhor sua rotina de consumo furtando-se a compras que não vão agregar em nada.

Ao fazer isso, torna-se mais fácil identificar onde há excessos em suas compras e, ao realizar novas aquisições, perguntar-se: o produto ou serviço que você está adquirindo é realmente importante ou apenas um desejo momentâneo? Essa simples pergunta evita gastos e mantém uma saúde financeira estável.

É aconselhável também, ao adquirir um novo produto ou serviço que não seja essencial, avaliar o impacto financeiro dessa compra, especialmente se for realizada com a opção de parcelamento, para evitar consequências negativas nos meses subsequentes.

Assim, o exercício de autocontrole e a tomada de decisões racionais são necessários para alcançar discernimento para efetuar suas compras e adquirir somente o necessário, evitando o desperdício financeiro.

Outro ponto que atrai os consumidores para a aquisição de produtos ou serviços são as promoções “irresistíveis”. Elas ativam os gatilhos que levam às compras por impulso, criando uma sensação de urgência e exclusividade, levando o consumidor a agir pela emoção do momento, deixando de analisar a verdadeira necessidade da compra.

Nossa propensão a valorizar descontos e ofertas tem sua raiz no desejo natural de poupar, e é esse instinto que nos leva a compras impulsivas, pois acreditamos que, se não agirmos, corremos o risco de pagar mais caro no futuro. No entanto, o raciocínio deve ser outro: refletir se a compra é crucial naquele momento ou se estamos apenas sendo influenciados pelas promoções. Afinal, adquirir um bem ou serviço no calor da promoção não significa que estamos poupando, mas na verdade, podemos estar contraindo mais uma dívida ou adquirindo um bem desnecessário.

Ainda temos o hábito de realizar compras em momentos de instabilidade emocional, como estresse, tristeza ou euforia. Por isso, é de extrema importância reconhecer nossas emoções e perceber se elas estão contribuindo para adquirirmos coisas desnecessárias, apenas para tentar alterar nosso estado emocional.

Evitar sair às compras nesses momentos requer autoconsciência e controle. Para não cair nessas armadilhas, é importante refletir se aquele bem ou serviço foi adquirido por necessidade ou influenciado por suas emoções. Essa é uma análise necessária para não se arrepender das aquisições. Por essa razão, ter sempre definido o que é importante e o que é supérfluo é fundamental nesses momentos.

Importante também um cuidado especial com o uso do cartão de crédito, pois ele pode ser um vilão quando falamos de compras realizadas por impulso. O cartão de crédito nos traz uma falsa impressão de que temos o poder de compra, com a conveniência do parcelamento, prolongando a dívida, mas, na verdade, ele é mais um facilitador nos momentos impulsivos e acaba levando o consumidor ao endividamento quando mal utilizado.

Portanto, é importante estabelecer limites de gastos, mesmo diante de um limite alto de crédito oferecido pelo cartão, para não comprometer seu orçamento. Monitorar os gastos regularmente também é essencial para evitar surpresas com a fatura ao final do mês.

Use o cartão apenas quando for necessário e quando a compra for essencial e planejada, evitando os pequenos gastos diários que, em nada acrescentam e apenas geram mais dívidas no cartão. Dessa forma, a utilização do cartão deve ser feita com moderação e inteligência.

Sabendo usufruir dessa modalidade, você poderá aproveitar os benefícios e bonificações que os cartões oferecem, garantindo uma maior eficácia na sua utilização.

Contudo, saber diferenciar entre o que é uma aquisição por desejo ou por necessidade está na motivação que leva à compra. Quando compramos por necessidade, estamos buscando algo essencial para nossa subsistência ou para realizar tarefas diárias. Essas aquisições são movidas por uma demanda prática, sem as quais nosso dia a dia seria prejudicado; assim, a compra é importante e vai agregar valor e utilidade.

Por outro lado, quando compramos pelo simples desejo, a motivação é emocional ou subjetiva. Nesse caso, o produto ou serviço não é indispensável, mas proporciona prazer, conforto ou status momentâneo. O desejo é muito poderoso na tomada de decisão; a aquisição de um bem ou serviço não envolve uma urgência prática como a necessidade, e é essa diferença que determina as compras por impulso desnecessárias.

Em resumo, é essencial cultivar a consciência financeira e a capacidade de autocontrole para evitar as armadilhas das compras por impulso. Discernindo entre necessidades e desejos, planejar cuidadosamente as aquisições e monitorar os gastos garantem uma saúde financeira estável e sustentável. A educação financeira e a reflexão sobre nossas emoções são ferramentas poderosas que nos permitem fazer escolhas mais conscientes, assegurando que nossas decisões de compra realmente agreguem valor às nossas vidas, em vez de nos levar a um ciclo de endividamento desnecessário. Dessa forma, conseguiremos aproveitar as oportunidades de consumo de maneira responsável e vantajosa.

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